A vida contemporânea trouxe praticidade, tecnologia e novas formas de trabalhar.
No entanto, junto com essas mudanças vieram hábitos que estão afetando silenciosamente a saúde do coração.
Hoje, muitos adultos passam grande parte do dia sentados, alimentam-se com base em produtos ultraprocessados e convivem com altos níveis de estresse.
Embora pareça parte normal da rotina moderna, esse estilo de vida cria um terreno fértil para doenças cardiovasculares.
Por isso, entender essa relação é essencial para cuidar do coração antes que ele dê sinais de alerta.
Home office e sedentarismo: a combinação perigosa
A modalidade de home office vem crescendo no Brasil.
De acordo com uma pesquisa do IBGE, o tempo médio sentado aumentou significativamente após 2020, e permanecer sentado por mais de oito horas por dia pode elevar em até 40% o risco de doenças cardiovasculares.
Mesmo assim, muitas pessoas não percebem o perigo porque o sedentarismo não causa dor imediata.
Entretanto, ao longo dos meses, ele contribui para aumento de peso, resistência à insulina, alterações no colesterol e na pressão arterial. Em consequência disso, o coração trabalha sob maior esforço, mesmo quando o corpo está parado.
Além disso, o ritmo acelerado do trabalho remoto faz com que pausas sejam raras.
Muitas pessoas só percebem que ficaram longos períodos sentadas quando já é fim do dia.
Portanto, levantar a cada duas horas, caminhar alguns minutos dentro de casa e incluir exercícios regulares na rotina não é apenas recomendado — é crucial para a função cardiovascular.
Alimentação ultraprocessada: praticidade que cobra caro
Com a correria diária, alimentos prontos e industrializados se tornam opção constante. Ainda assim, eles carregam um grande risco para a saúde do coração.
Produtos ultraprocessados costumam ser ricos em sódio, açúcar, gorduras trans e aditivos químicos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o consumo excessivo de sódio está ligado a cerca de 30% dos casos de hipertensão.
Além disso, refeições com alta carga calórica e baixo valor nutricional favorecem o aumento do colesterol LDL, o acúmulo de gordura abdominal e a inflamação do organismo — três fatores determinantes para eventos cardiovasculares.
Desse modo, buscar equilíbrio nutricional se torna uma estratégia de longo prazo.
Priorizar alimentos naturais, como vegetais, frutas, proteínas magras e carboidratos integrais, transforma a alimentação em uma aliada da saúde cardíaca.
Stress contínuo: o vilão silencioso
A rotina intensa do século XXI também ampliou o stress crônico.
E, quando ele se torna constante, o organismo libera níveis mais altos de cortisol e adrenalina.
Consequentemente, a pressão arterial sobe, o sono se altera e a inflamação sistêmica aumenta, abrindo portas para arritmias e outras condições cardíacas.
Técnicas de gerenciamento emocional, como meditação, exercícios físicos e boas horas de descanso, ajudam o coração a trabalhar em equilíbrio.
Obesidade
Uma das consequências deste estilo de vida moderno é a explosão da Obesidade, que comprovadamente é atualmente um dos principais determinantes de Doenças Cardiovasculares.
O IMC, que é o Índice de Massa Corpórea, é o parâmetro utilizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para calcular o peso ideal do indivíduo.
O cálculo é feito da seguinte maneira: divide-se o peso da pessoa em quilos pela sua altura em metros elevada ao quadrado e dai temos uma classificação na qual o IMC ideal estaria entre 18,5 e 24,9 (Tabela anexa). Aliás existem várias calculadoras para determinar o IMC na internet.

No Brasil temos dados relativos ao ano de 2025 que indicam que 68% dos adultos já apresentam um IMC > 24,9 e um terço da população já preenchem o critério de obesidade.
Estudos demostram uma associação entre o aumento do IMC e o risco de Doença Arterial Coronária, Insuficiência Cardíaca e Morte Cardiovascular.
Duas em cada três mortes associadas a obesidade tem a doença cardiovascular como causa.
O peso deve ser majoritariamente controlado com um estilo de vida saudável que inclui dieta equilibrada e a prática regular de atividade física. Havendo dificuldades será necessário procurar um profissional da saúde para auxilio.
Um novo olhar para o coração na vida moderna
Vivemos em um tempo que oferece conforto e tecnologia, porém, cuidar do coração exige consciência e escolhas diárias.
Adotar uma rotina ativa, fazer pausas no trabalho, priorizar uma alimentação natural e controlar o stress não demanda mudanças drásticas — apenas constância.
Quanto mais cedo esses hábitos entram na vida, menor o risco de problemas cardíacos no futuro.
O estilo de vida do século XXI é inevitável, mas as consequências negativas para o coração não precisam ser.
Cuidar do organismo hoje é garantir qualidade de vida amanhã e o coração agradece por cada escolha saudável que você faz.
Ficou com alguma dúvida, fale conosco.

